DEPOIMENTOS

     Lucyla: mãe da Beatriz (4 anos) e Gabriela (8 meses)
    
Uma luta. O incômodo das contrações, a vontade de não o sentir. E surge a pergunta: Para que tudo isso?
O alívio pela respiração, a busca pela coragem, pela força, pela forma de fazer com que tudo se encaminhe bem, ou melhor: da melhor forma possível.
Tantos dilemas. Quantas coisas me ocorrem nesse momento em que não há nada no que pensar, o que resta é fazer e observar, fazer e observar, fazer melhor e me admirar, surpreender-me...
Um verdadeiro mergulho para dentro de mim mesma, profundo, sem medo, sem expectativas - Heis a melhor de todas as opções pra mim. E esse mergulho, na prática, é a busca pelos meus recursos mais íntimos que habitam em meu ser, são o meu mundo, estão em meus músculos. Encontrá-los e brincar com eles é encontrar a paz, e um delicado prazer.
O autoconhecimento e o reconhecimento da natureza do processo físico geram confiança e, assim, acalmam meu espírito. A calma embala minha alma.
Os anjos cantam e os que ali encontram-se dançam os procedimentos. Chegam as boas práticas e as melhores palavras. A entrega de todos os presentes impera num pulsar marcado pelas contrações, que agora... Ah!, nesse momento não há mais incômodo - apesar de a luta continuar, lá no íntimo: a ansiedade que quer entrar no meio do salão. Cabe apenas não deixar a música parar, respeitar o ritmo, seguir o compasso, manter a entrega e permitir que cada instância desempenhe sua função. Tudo flui!
Todos dançam a música dos céus entoada pela criança que chega, para ela.
Confiança, coragem e amor exalam dos que se deixam embalar por ela, e o apoio mútuo se transforma em palavras que surgem nos momentos de fraqueza que fazem parte dessa festa harmoniosa.
A espera final.
À espera ficaram muitos, foi a luta que a tudo antecedeu. A luta entre a mente que gera medo, e a fé e sabedoria que trazem a confiança e a serenidade necessárias para aprender a saber esperar.
Quantas escolhas feitas ao se traçar o caminho. A harmonia, ou a falta dela, mostram se o caminho foi bem caminhado. Mas apenas caminhar bem não basta, ainda é preciso ver. Estar de olhos atentos e coração aberto para reconhecer a divina atuação e poder nos alimentar dela, fortalecer-nos nela, orientar-nos por ela e, finalmente, no grande e esperado instante, a ela nos entregar.
E dessa forma, permitido foi um encontro entre almas, o qual fez do momento um belo e delicioso fruto que nos alimentará, das mais variadas formas, por toda a eternidade, trazendo e refazendo o sentido do maravilhoso processo da vida.
Obrigada a todos pelo apoio e carinho. Cris, obrigada por seu trabalho, respeito e delicadeza.
Gabriela obrigada por me fazer esperar tanto, obrigada pela sua demora que alongou esses acontecimentos tão preciosos que hoje vivem em minha alma, em minha memória. Obrigada por, pela sua presença, me presentear com o céu. Que eu te sirva sempre com esta alegria.






Cristina: doula em Florianópolis (SC)

O contato com o trabalho da doula e a participação no Grupo de Apoio à gestação transformaram a minha relação com o universo infantil. Conheci várias formas de aproximação e acolhimento da criança que chega ao mundo, entre elas o uso do Sling. Na prática senti que transmita segurança e aconchego.




                       Maya: mãe do Antonio (1 aninho)


Antônio,  você completa 1 ano nessa madrugada e eu estou aqui acordada lembrando de cada segundo daquele dia, cada contração, cada emoçāo.. a alegria misturada com a ansiedade, o medo misturado com o amor.. 
Essa hora, 23h, eu já estava na sala de parto.. As contrações já eram próximas  ritmadas  ja estava focada, não ouvia mais ninguém  no mundo só tinha eu e você, nada mais me importava.. Todo meu medo de sentir dor sumiu completamente, queria o melhor para você . Comecei a espera um dia antes, quando as contrações já não me deixavam dormir.Passei  a noite na expectativa, no chuveiro, na sala.. a noticia que a Laura tinha nascido e estava bem, dormindo em paz mas também me trouxe uma ansiedade.. Sabia que você estava vindo.. Dormi por volta das 5,6 h da manhā, passei o dia na expectativa. A Fe veio nos ver e trouxe a bola de pilates e o óleo de arnica, duas coisas que viraram melhores amigas mais pra frente.. O dia foi tranquilo mas a tarde começaram as contrações novamente, que  foram ficando mais fortes e ritmadas na hora do jantar. A a minha mãe minha olhou pra mim e disse: "o Antônio vai nascer, vamos para o hospital".
Eu achei um exagero afinal estava tranquila, não sentia dor.. Pegamos as malas e fomos para o hospital, chegando lá realmente estava no inicio, a médica pediu que me internassem que ela estava a caminho. Subi para a suite arrumamos as coisas e fomos visitar a Laura, uma boneca,  mas ai ja estava com dor e não conseguia ficar em pé.. A doutora chegou e disse que estava na hora,  tomei anestesia, a bolsa rompeu e aí parei de ouvir tudo e todos, só queria saber como você estava.
Ouvi: "Força que ele esta vindo"... aí só mais um empurrão e ai já te ouvi, gritando, berrando, bravo.. A doutora colocou você direto no meu colo, nunca senti tanta emoção.. 
Depois te tiraram de mim para pesar, medir  e seu papai conta que você estava bravo gritando e chorando, então quando ele começou a conversar você logo se acalmou. 
Quando te trouxeram de volta e você deitou no meu colo pronto, perfeito, pensei:  "nunca mais quero que te tirem daqui.. "
 Tem uma musica da Isadora Canto que diz tudo, "bem vindo meu novo ser, cercado de proteção, de tanto amos tanta paz dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar."




Ana Paula : mãe da Catarina (11 meses)



No dia 10 de abril de 2012 eu trabalhei igual a uma louca, fui fazer drenagem linfática e depois, fui ao mercado fazer a compra do mês, inclusive carreguei um monte de sacolas....Quando foi 00:07, senti um corrimento volumoso, meio água, meio muco e daí falei pro Giovanni: "Acho que tem alguém querendo nascer!!!" sorrindo!!!
A 01:00 hora, uma cólica parecida com menstrual e vontade de fazer cocô.... eu estava feliz porque achei que a Catarina estava encaixando...Depois de ir ao banheiro, vi que tinha um muco com um tom rosadinho junto..... voltei pra cama e falei pro Giovanni: "Certeza que a Catarina quer nascer!", nos olhamos e falamos... "vamos ficar em casa o máximo que conseguirmos". Eu tinha muito medo de ir ao hospital e eles quererem faer uma cesárea.
Ficamos em casa, eu e o Giovanni... quando vinha a contração, eu ficava em posição de yoga, sentada sobre meus pés e ele me aliviava as costas com massagem, bem forte e dali 40 segundos, passava e dava uma sensação boa.
O fato é que as contrações atingiram intervalo de 2 minutos muito rápido, eu andava pela casa, arrumei a casa toda, arrumei a mala da maternidade, peguei o enfeite da porta e a cada contração, pedia socorro a ele. Teve momentos que me debruçava na cama e aliviava bastante. Resolvemos ir ao hospital, pensei que chegando lá, iam ver que dilatação eu estava e daí eu ligara pra Doula de volta. Pois é.... não deu tempo.
Chegamos no hospital perto das 03:00 horas e eu estava com 8 de dilatação, dali 15 minutos, dilatação completa. Ligaram pro meu médico e já foram me preparando para o parto. Procurava mentalizar coisas boas, buscava força porque dentro de pouco tempo, minha tão amada filha estaria nos meus braços.
Já no final, resolvi tomar analgesia, estava difícil conseguir controlar todas as contrações, ela me aliviou bastante no sentido de poder ajudar mais o trabalho de parto. Estava feliz de ter conseguido ficar todo aquele tempo sem, me sentia tão forte que nem sei dizer de onde vinha todo aquele vigor..... só sei que vinha!!!
A Catarina  veio, linda, forte, sozinha, no tempo dela, com a força dela, às 4:55. Foi muito rápido!!! O Giovani cortou o cordão que inclusive era bem curtinho e nos apresentaram.... mãe e filha!! Já nos conhecíamos muito e sabíamos que aquele era o nosso momento, impressionante como ela fixou os olhinhos em mim.... apesar de eu saber que não me via, sei que ela me sentia e que aquele olhar tinha um efeito enorme sobre meu corpo e sobre o momento real de ser mãe. Consegui.
Momentos depois, trouxeram ela enroladinha num tecido azul, tirei aquele monte de pano que tinha em cima de mim, e ficamos eu e ela, pertinho, produzindo ocitocina (rs)...
Levaram ela, o Giovanni foi junto e dentro de menos de 1 hora, ela voltou pra mim, lindinha, de tip top de fio com florzinha que tínhamos escolhidojunto para a "estréia" dela e ela mamou..... e eu rezei SAnto Anjo e cantei Alecrim Dourado baixinho no ouvidinho dela. Indescritível.
Fomos ao quarto e eu me sentia aqueles atletas que ganham prêmio e desfilam em cima daqueles carros abertos, erguendo o troféu.... eu passava pelos corredores e sentia tanto orgulho de ter minha filha nos braços e mais, saber, o quanto nós duas tínhamos ajudado uma a outra. 


 


                      Elis : mãe do Vinícius (6 meses)


O parto natural foi a melhor experiência que eu vivi na minha vida. É indescritível a alegria, a  emoção e a sensação de prazer que senti no momento do parto. Foi maravilhoso ver que  sou capaz de dar a luz a um ser gerado dentro de mim e que, naquele momento do parto, veio cheio de vida para este mundo, é lindo e emocionante demais. 

Agradeço muito por ter conhecido o grupo Mater Gaia e pelo apoio que obtive ao final da gestação e durante o parto com a Doula. Agradeço também, ao grupo, por me proporcionar a oportunidade de ter   a consciência real da importância do parto natural. Parabéns pelo trabalho desenvolvido!




Lorena : mãe da Júlia (6anos), Artur (4 anos) e Laura (3 anos).


Na minha primeira gestação tive uma cesariana. Estava despreparada e sem informações do que era um parto normal.  Na minha segunda experiência  fiquei na expectativa e no final da segunda gestação tive a decisão de trocar de médico que me acolheu e tão logo aconteceu o parto normal, com intervenções. Com a vinda de Laura, minha terceira filha, participei das reuniões de apoio e tive preparo  físico e psicológico, e um “parto dos sonhos”... .




Na manhã do dia 15 de maio de 2009 acordei incrivelmente tranqüila, e ali já desconfiei que havia alguma coisa no ar, após alguns minutos meus 2 filhos acordaram também muito tranquilos. Depois do almoço desceu o tampão mucoso e logo após começaram as contrações ritmadas, indolores. Ficou assim durante todo o dia. 
Por volta das 23 horas comecei a sentir um pouco de dor, liguei para minha doula, ficamos fazendo exercícios, comendo e dando risada durante a madrugada. Enquanto o tempo passava, as contrações e a dor se intensificavam, e entre 4 e 5 horas fomos para a maternidade. E mesmo entre confusões e interferências permaneci calma, e em meio a intensas dores eu buscava forças na certeza de estar fazendo o melhor para mim e para minha filha, e tinha certeza que no final valeria a pena. Em meio a vocalizações, respirações e muita energia minha filha nasceu. 

Puxei minha filha com as minhas próprias mãos quando ela estava saindo.Após ter pego milha filha nos braços não tem como definir ao certo meus sentimentos. É uma mistura de poder, por ter dado a luz a um filho, e uma satisfação por ter tido força para conquistar a minha meta. A lição mais importante que eu aprendi foi que não existe consciência sem informação. Nós mulheres só podemos proporcionar um parto para cada filho, vale a pena dar o que temos de melhor. Espero que este relato ajude outras mulheres a buscarem suas escolhas e a terem o “parto dos sonhos”.




Patrícia: mãe da Maria Luiza (10 anos) mãe da Helena (1 mês) 

No feriado de 07 de setembro de 2012 nasceu nossa filha Helena. Foi um parto muito emocionante ( nunca vi meu marido chorar tanto rsrs) que eu gostaria de compartilhar a minha história. Como esperado, o andamento nos trouxe surpresas, mas tudo correu bem, com o que aprendemos nos encontros e ajuda da obstetra, tudo deu certo.

Minha sensação é de que o parto durou 3 semanas porque tive um pródromo bem intenso, com várias contrações, às vezes muito freqüentes, às vezes mais fracas mas regulares. No dia 05 de setembro cheguei a ir ao hospital com nossas malinhas porque a frequência já era grande, mas eram ainda muito fracas e eu tinha apenas 1cm de dilatação. No dia 06, perdi um pouco de  líquido e lá fomos de novo pro hospital mas o médico diagnosticou q não era da bolsa e novamente voltamos pra casa.

Durante a noite do dia 06 para 07 eu já estava acordada, as contrações estavam me mantendo desperta mas eram ainda irregulares. Eu tentava dormir e a Helena estava super agitada quando senti algo como uma bolhazinha de ar dentro da barriga e uma sensação de "ploc". Agora sim não podia ser outra coisa senão a bolsa, escorreu líquido em maior quantidade enquanto eu estava deitada. Eu levantei  ligeiro e o líquido parou.

Na maternidade fomos recebidos pelo plantonista e conhecemos de fato o sistema. Foi muito importante que tívessemos o conhecimento para  defendermos nossas intenções nesse momento. Me submeti a algumas coisas que achei q não valiam a pena discutir mas defendi o que eu achava importante. O médico não ficou convencido de era bolsa rota porque a sentia íntegra na parte inferior, mas resolveu me internar mesmo assim pra observar. Não havia quarto disponível então seguimos direto pro centro obstétrico, onde não queriam deixar o meu marido entrar, só o permitiram porque eu ameacei ir embora de avental mesmo (sim, eu estava daquele jeito, de bunda de fora rsrsr) se não deixassem ele entrar.  Me colocaram soro e me deixaram no cardiotoco por duas horas ( até a médica chegar). Como eu estava questionando tudo isso e desrespeitando a orientação de não me mexer, o plantonista resolveu avisar a médica, mesmo sendo desnecessária a presença dela até então. Eram 3 da manhã e a dilatação estava em menos de 2cm ainda.

Ao chegar, às 5 horas, a obstetra constatou que a bolsa estava rompida sim, mas nada ainda da evolução na dilatação nem das contrações. Era uma rotura alta por isso a insegurança do plantonista no diagnóstico e ela me explicou as opções que tínhamos considerando que a bolsa estava rompida há pelo menos 5 horas ( isso se não estive rompida desde o dia anterior quando perdi líquido mas o médico que me examinou achou q não era ainda) e que a evolução estava lenta. Fiquei com receio da medicação preventiva a que a Helena seria submetida se passassem 12 horas de bolsa rota e optamos pela ocitocina sintética. A partir daí  a evolução foi rápida e a Helena nasceu às 9h45 do dia 07 de setembro. Suportei as contrações com a bola, massagens no quadril (que ajudaram muito!), ducha quente e controle da respiração. Também chorei e gritei. A partir dos 8cm de dilatação doeu pra caramba e resisti à peridural com ajuda do meu marido que me ajudou lembrando de manter nosso plano de parto pelo melhor pra nossa bebê. Não houve analgesia, nem episiotomia. Tive laceração da pele em 3 pontos, que receberam um ponto cada. A Helena estava com a mãozinha no rosto então junto com a cabeça passou o punho dela ( será que batia continência pelo dia da pátria? Rsrs). Ela veio em seguida pro meu colo, rechonchuda e branquinha,  cheia de cabelos pretos. 3,260 kg e 48,5 cm. Apgar 9/10.
Já estamos em casa, ela é muito calminha, dorme bastante e estamos nos adaptando com a  amamentação. Estou muito orgulhosa por ter conseguido cumprir nosso plano de parto e feliz por saber que fiz o melhor pela nossa bebê.Gostaria de partilhar essa alegria!