segunda-feira, 20 de maio de 2013

Parto Normal ou Cesárea??

Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde o parto normal é mais aconselhado e seguro do que o parto cirúrgico, a cesariana. Oferece menos riscos de infecção, hemorragias , prematuridade para os bebê e ainda favorece a preparação do corpo e da mente da mulher no processo do nascimento. Vários hormônios são produzidos em maior quantidade e auxiliam na diminuição da dor no momento do parto (endorfinas), na na produção do leite materno e na vinculação afetiva que a mãe estabelece com a sua criança (ocitocina). Além disso, a recuperação é melhor e mais rápida após o nascimento, comparada com a cesariana.

É importante, para que a mulher possa desfrutar desses benefícios, que ela tenha a sua disposição os recursos que favoreçam este processo: respeito a sua individualidade, técnicas de alívio para a dor não farmacológicas (como a utilização da água do chuveiro ou da banheira), incentivo a posições verticais para o nascimento entre outras.

A cesariana, indicada de forma correta, salva muitas vidas e é uma grande conquista nos dias de hoje. Ela traz a comodidade da “hora marcada” mas apresenta muitos riscos para as mães e seus bebês, como o aumento na incidência da mortalidade materna e infantil. Apesar da recomendação da OMS de taxas de cesarianas menores de 15%, este procedimento é muito realizado em gestantes de baixo risco no Brasil, com indicativos que chegam a 90% em algumas maternidades particulares. Para muitas mulheres a procura pela cesariana se dá pelo medo da dor e isso acontece por vezes, pela falta de informação e opção que lhes traga segurança e satisfação.

E como se sentir segura e animada já que as maternidades exibem taxas tão altas de partos cirúrgicos? 

Um bom começo é partir para a informação segura através da leitura de textos em livros e sites de referência (segue abaixo uma lista de livros indicados). É importante também encontrar um obstetra que respeite as suas escolhas e que te transmita segurança. A participação em grupos de apoio traz a oportunidade da informação aliada à troca de experiências com outras mulheres - os relatos fortalecem as escolhas! 


 “Puxei minha filha com as minhas próprias mãos quando ela estava saindo. Após ter pego minha filha nos braços não tenho como definir ao certo meus sentimentos. É uma mistura de poder por ter dado a luz a um filho, e satisfação por ter tido força para conquistar a minha meta. A lição mais importante que eu aprendi foi que não existe consciência sem informação. Nós mulheres só podemos proporcionar um parto para cada filho, vale a pena dar o que temos de melhor!” Relato da Lorena (mãe da Júlia, do Artur e da Laura). 


Além desses caminhos, o trabalho pessoal realizado através da reflexão ou da ajuda de um profissional (psicólogo) permite que a mulher tenha recursos para que essas escolhas façam sentido, para que conheça melhor o seu corpo e seus limites e para que o seu “ideal de parto” esteja aberto à experiência que vier no momento do nascimento. Assim a mulher também nasce, se empondera, fica ativa no momento que é dela!


 Dicas de Livros: 

  •  A Cesariana - Michel Odent 
  • A Doula no Parto - O papel da acompanhante de parto – Fadynha Gravidez, 
  • Parto, Pós-parto e Cuidados com o Recém-nascido – OMS 
  •  Lobas e Grávidas: Guia Prático De Preparação Para O Parto Da Mulher Selvagem, Lívia Penna Firme 
  • Nascer Sorrindo - Frederick Leboyer Parto Ativo - 
  • Guia prático para o parto natural - Janet Balaskas 
  • Parto com Amor - Em casa, com parteira, na água, no hospital: Histórias de nove mulheres que vivenciaram o parto humanizado / Luciana Benatti e Marcelo Min
  • Parto Normal ou Cesárea? O que toda mulher deve saber (e homem também) - Simone G. Diniz e Ana C. Duarte  
  • O Renascimento do Parto - Michel Odent 


 • Texto de: Cristina Trevisol e Silva - Psicóloga e Doula