terça-feira, 7 de agosto de 2012




Respirando
Por:   Lívia Penna Firme

O oxigênio é o primeiro e o mais importante alimento de que o corpo necessita. Respiramos mal e insuficientemente no cotidiano. 

A gravidez é um momento propício para resgatar a capacidade respiratória. À medida que o útero cresce, parece que nos falta ar, com a proximidade do parto, necessitamos respirar mais fundo e relaxar. Durante o trabalho de parto a respiração ajuda a não se prender ao lado doloroso das contrações, permitindo que o útero dilate e o bebê atravesse o canal vaginal.

Quando nascemos, nossa respiração é profunda ou abdominal. Depois, os sustos da vida vão tornando cada vez mais curta. Os medos, as ansiedades, a pressa e o ritmo da vida levam o adulto a respirar pouco, enchendo apenas a parte superior do pulmão. A respiração curta e alta não é suficiente para suprir a necessidade de oxigênio de todas as células.

Na gravidez pode-se aumentar a capacidade respiratória levando mais oxigênio para o útero, para a placenta e para o feto. Isso contribui também se ter força e disposição para atravessar os nove meses de gestação e o trabalho de parto, no qual a respiração desempenha um papel fundamental. A idéia não é utilizar a respiração para controlar o parto; técnicas como a do "cachorrinho" ou a de "encher o tórax de ar e fazer força", segundo o obstetra francês Leboyer pode mais atrapalhar do que ajudar. "A mulher precisa respirar lenta, profunda e intensamente, com fervor, dando ênfase à expiração que deve se tornar cada vez mais longa e suave. Em cada expiração ela traz de dentro de si um som grave e profundo produzidos pelo seu abdomen".

Segundo Leboyer "é preciso deixar-se levar, entregar-se...mas entregar-se não significa render-se. Para seguir o ritmo e acompanhá-lo é preciso atenção a cada momento... Respirando, respirando sem parar, sem cair na tentação de bloquear, de resistir, de reter a respiração, em vez de ajudá-la a se ampliar".

Fonte: Livro Lobas e Grávidas